Textos próprios

  • Submissão & Corrupção 23/04/2017

    É difícil explicar exatamente o que me atrai em uma mulher fumante. Este sentimento é algo quase magnético: o ferro não sabe porque o imã o atrai, ele apenas se preocupa em cumprir o destino imposto pela física. Contudo, há dois aspectos da capnolagnia – o nome técnico do smoking fetish – que possuem uma capacidade de atração excepcionalmente forte: a submissão e a corrupção.

    A submissão – utilizada neste contexto como a perda de sua vontade própria em favor de outro – é parte do dia a dia de boa parte dos fumantes. É fato que a maior parte dos fumantes tem consciência de que seu hábito faz mal, já tentou parar, mas não conseguiu, o que caracteriza um cenário de perda de vontade própria típica da submissão. Um exemplo muito claro disso são mulheres que fumam na gravidez: sua submissão ao fumo é tão forte que vence o instinto materno de proteção à prole. Os links abaixo mostram algumas mulheres vivenciando isso:

    Não consigo parar de fumar me ajudem…muito triste

    Não consigo parar de fumar

    Não consigo parar!!

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    Jovem, fumante e grávida: bela (e rara) combinação

    A corrupção é outro aspecto terrivelmente fascinante da atração por fumantes. Pensar em alguém sendo lentamente convencida a fumar – a curiosidade vencendo uma possível repulsa inicial, a descoberta do prazer intenso das primeiras tragadas, e por fim a rendição ao vício – é algo tão estimulante quanto o sentimento de submissão narrado anteriormente.

    No fim, corrupção e submissão podem, neste contexto, ser vistas como inseparáveis, como duas faces da mesma moeda. A corrupção inicial leva à submissão; a nós, fetichistas, nos cabe apreciar ambas as etapas deste processo.

  • Holders 22/03/2017
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    Audrey Hepburn. Todo este texto é apenas uma desculpa para postar esta imagem.

    Não entendo absolutamente nada sobre moda, mas baseado apenas no comportamento humano me arrisco a apostar, sem o menor medo de perder, que ela é cíclica. A tendência de hoje cheirará a naftalina amanhã, mas não há exílio eterno dentro de um guarda-roupa.

    Essa é a razão para crer que, um dia, ainda verei a ressurreição de um acessório que atualmente descansa nos sonhos dos fetichistas: o holder. Mais conhecido no Brasil pelo horroroso nome de piteira, ele viveu seu auge na primeira metade do século XX, e hoje é o equivalente tabagístico da ararinha azul: desapareceu da natureza e só é encontrado em cativeiro. Nos dias de hoje, ele é utilizado apenas em ensaios fotográficos e em fantasias, compondo a tradicional imagem da melindrosa (outra palavra que agride meus tímpanos – embora o equivalente inglês, flapper, também deixe a desejar).

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    Todo este texto é apenas uma desculpa para postar esta imagem (2).
    (Créditos, merecidos)

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    Alguém usando holder na rua? Mais fácil encontrar uma ararinha-azul voando por aí.

    Embora fosse visto mais como um acessório do que como um utensílio com finalidades definidas, o holder possuía algumas utilidades bem interessantes:

    • proteger mãos e rosto de efeitos negativos do cigarro, como manchas e rugas;
    • diminuir o cheiro residual de tabaco nas mãos, rosto e cabelo;
    • resfriar e abrandar a fumaça;
    • acondicionar filtros (cigarros com filtros, como os que estamos acostumados hoje, só vieram a dominar o mercado na década de 1960).

    Infelizmente, todas estas vantagens foram incapazes de evitar a decadência do holder. A queda de popularidade do cigarro, em conjunto com uma maior valorização da praticidade – holders ocupam mais espaço, dão trabalho (necessitam de limpeza periódica), e, claro, custam dinheiro – decretaram a morte deste querido acessório. A nós, resta apenas esperar um improvável, mas não impossível, renascimento.

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    Onde há juventude, há esperança.